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Roteiro em CAPITAL
 ideal para 1 DIA

Vila de Paranapiacaba: cultura, história e belas fotos pertinho da Capital

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Por Thatiane Ferrari

Atualizado há 11 dias

Destino único e apaixonante perfeito para um bate e volta, a Vila Inglesa de Paranapiacaba é o lugar certo para quem gosta de história e natureza

Tudo é tão diferente que é fácil pensar que entramos em um filme. Localizada a apenas 50 km de São Paulo, no distrito de Santo André-SP, em meio a Mata Atlântica, está ela: a Vila Inglesa de Paranapiacaba. Construída em 1867, ela servia de abrigo aos engenheiros e operários da companhia britânica de trens que foi designada a implantar a linha férrea na região paulista, a São Paulo Railway (SPR).

Por conta da posição estratégica em plena Serra do Mar, o local servia para escoar a produção do café extraído do Vale do Paraíba até o litoral, no Porto de Santos. Integrando a lista dos Conjuntos Urbanos Tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Vila Inglesa de Paranapiacaba até hoje possui uma estrutura bem conservada que marca a riqueza histórica do lugar.

Um pedacinho da Inglaterra no Brasil

Andar por entre as casas de madeira de Paranapiacaba é fazer uma viagem no tempo
Thatiane Ferrari

Com cerca de mil habitantes, a população da antiga vila é extremamente acolhedora, oferecendo uma grande variedade de atrações históricas, culturais e gastronômicas. Aproveite que Paranapiacaba fica bem pertinho da capital e faça um roteiro de bate e volta, reservando um dia inteiro.


Primeiros moradores

Antes mesmo dos ingleses chegarem na região, já havia alguns ilustres moradores, os índios. Foram eles que deram o nome ao local, batizando de Paranapiacaba, que em tupi quer dizer “lugar onde se vê o mar”. Dentro do Parque Natural Municipal Nascentes é possível ter o contato com a natureza, conhecendo de perto a fauna e a flora local. Porém, qualquer tipo de trilha só pode ser feita com um profissional especializado, para que a preservação e a conservação do ecossistema seja mantido.

Para começar a planejar um rolê por lá é preciso primeiro responder uma pergunta: você quer fazer alguma trilha no mato? Se sim, o ideal é chegar bem cedo.

Dica dos locais

Os próprios guias explicam que o período da manhã é melhor, por conta das condições climáticas e o tempo mais folgado para a realização das caminhadas, que podem ser moderadas ou intensas, dependendo da rota.


Funicular de Paranapiacaba

Já para quem gosta de aventura, existe uma trilha não oficial chamada Travessia do Funicular. Ela é realizada nos antigos elevadores utilizados para enviar as cargas. A rota era feita quase toda em linha reta, dentro da Serra, utilizando um sistema de contrapeso. Por estarem há mais de 30 anos inativos, os trilhos se deterioraram com o tempo, ficando enferrujados e sendo envoltos pela mata.

Dica dos locais

Andar por eles é uma grande adrenalina que só alguns se arriscam, já que além de ser perigosa, a trilha é realizada dentro de uma propriedade particular.


Parte alta da Vila

Melhor vista de Paranapiacaba: de cima do cruzeiro
Thatiane Ferrari

De qualquer modo, o local de encontro de muitos passeios e o ponto final do ônibus que leva até a Vila fica na parte alta, onde está localizada a Igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba, datada de 1889.

Ao lado dela fica o Cruzeiro, de onde é possível, dependendo da neblina, ter uma visão completa da ferrovia e das casas. É interessante deste ponto imaginar como era esse local 100 anos atrás.


Travessia mágica

Travessia mágica
Thatiane Ferrari

Esta é a parte considerada moderna e, para atravessar os trilhos e chegar na parte baixa, é preciso passar por uma espécie de portal mágico, que nos leva de fato até a Vila Inglesa de Paranapiacaba. Levantada em 1899, a Passarela Metálica além de ligar as suas partes, evitava a circulação de pessoas no pátio ferroviário.

Dica dos locais

De cima da passarela é o melhor lugar pra se ter uma vista privilegiada do relógio da estação. Trazido da Inglaterra, ele é uma réplica do Big Ben, símbolo de Londres.


Parte baixa da Vila

Abaixo, na antiga área de manobras, fica o Museu Tecnológico Ferroviário, onde dá para ver de perto alguns dos maquinários, locomotivas e ferramentas utilizadas na época.

Dentro conseguimos perceber o quanto o trabalho era pesado. Os altos cargos ficavam para os ingleses e os outros para brasileiros e imigrantes recém-chegados da Europa.

Se no museu conseguimos imaginar como eram as atividades laborais dos operários, na Casa Fox temos noção de como funcionava a rotina diária de sua família. Apenas a casa do engenheiro-chefe possuía água quente e banheiro interno.

Todas as outras tinham uma casinha na área externa, porém durante a implementação foram criadas as Vielas Sanitárias com um sistema de coleta de esgoto, como é possível ver por lá.


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Faça sua foto vintage

Faça sua foto vintage
Thatiane Ferrari

Em tempos de selfie, é engraçado imaginar que as sessões de fotografia eram um grande acontecimento. Gerava um grande alvoroço, com a família toda reunida e cada membro usando suas melhores roupas e sapatos.

Vivenciar um pouco disso é possível no antigo Cartório de Registro Civil de Paranapiacaba, onde funciona atualmente um estúdio fotográfico.

Dica dos locais

O visitante pode escolher algumas roupas de época e se caracterizar da mesma maneira que os moradores do século passado.


Vou te colocar no pau…

Vou te colocar no pau…
Thatiane Ferrari

Aliás, perto dali fica o Pau da Missa, um eucalipto que era utilizado por todos como mural de avisos públicos. Falecimentos, atividades culturais ou missas eram informadas com bilhetes fixados na árvore. Dizem que é dessa época que vem a expressão!


Espiadinha pela janela

No alto de uma colina, em meio a mata, está localizado o Museu Castelo, casa construída em 1897 para abrigar o engenheiro-chefe e sua família. De lá ele tinha a visão completa do que estava acontecendo e podia controlar as operações. No estilo vitoriano inglês, o casarão é aberto a visitação e conta com uma exposição de móveis da época.

Dica dos locais

Em dias claros, é possível do último andar ter uma vista de Cubatão-SP.


Nem tudo é só trabalho

Nem tudo é só trabalho
Thatiane Ferrari

O Clube União Lyra Serrano era o local onde acontecia a vida social de Paranapiacaba. Em um enorme edifício construído com madeira de pinho de Riga e telhas francesas, ele possuía um grande salão para baile.

Dica dos locais

O local segue sendo relevante, pois ele abriga os mais importantes eventos da Vila, como o Festival de Inverno e o tradicional Carnaval local, de onde os foliões partem para pular ao som de marchinhas.


Saco vazio não para em pé

Saco vazio não para em pé
Thatiane Ferrari

Se deixar a parte da manhã para as atividades culturais ou ecológicas, a parte da tarde pode ser dedicada às delícias gastronômicas e comprinhas.

Algumas das casas centenárias abrigam restaurantes e uma delas fica bem na frente do Lyra: a Estação do Sabor. Com uma decoração simples que remete à vida dos moradores de antigamente, o local oferece comidinha caseira por quilo ou a vontade nos finais de semana e a la carte nos dias úteis.

Outro lugar que serve refeições muito boas e saborosas é o Restaurante Vila Inglesa, com mesinhas na área externa.


Lugares notórios da cidade

Lugares notórios da cidade
Thatiane Ferrari

Um dos mais antigos estabelecimentos da região, o Bar da Zilda (http://www.bardazilda.com.br) fica bem na saída da ponte metálica e está lá desde a década de 1970, porém com uma nova cara, já que passou por uma modernização. Serve almoço e jantar, mas o forte mesmo são as porções!

Dica dos locais

O atendimento costuma demorar, então vá com tempo e paciência.


Ateliê Residência Francisca

Vizinha da Zilda é a Dona Francisca Araújo que com seus quase 90 anos ainda encara o balcão da sua loja de artesanatos, o Ateliê Residência Francisca. Moradora da Vila há mais de 60 anos, ela é bem conhecida pelos seus poemas.

Dica dos locais

A artista produz pequenos bonecos que fazem referência aos moradores locais usando biscuit, sementes, cordas e couro.


Sorrateira

Sorrateira
Thatiane Ferrari

Ela pode chegar a qualquer hora, mas no final da tarde é quase certeza que ela vem. A neblina tão característica de Paranapiacaba costuma trazer junto uma certa friagem. Nessa hora, nossa dica é que o viajante conheça o Infinito Olhar, um café que oferece uma experiencia diferenciada. Em um ambiente acolhedor e intimista, o cardápio é vegano, o café é coado e a decoração é um espetáculo à parte.


Cambuci: do tupi, pote de água

Cambuci: do tupi, pote de água
Thatiane Ferrari

As cachaças também têm espaço na Vila, principalmente as produzidas com o Cambuci, o frutinho verde da Mata Atlântica. Seu gosto é bem azedo, por isso é costume usá-lo apenas como ingrediente. Se for para tomar por lá mesmo, vá na Cachaçaria Paiol.


Feira gastronômica

Feira gastronômica
Thatiane Ferrari

Se preferir levar para casa, dê uma passadinha no Antigo Mercado da vila ferroviária, onde acontece todos os finais de semana a Feira Gastronômica Caminhos do Cambuci. Tem doces, geleias, sucos, sorvetes, trufas, licores e até cerveja. É uma oportunidade única de se despedir da melhor maneira de Paranapiacaba: levando para casa os deliciosos produtos preparados com o fruto local.


Dicas de ouro

Deixamos aqui alguns toques para ninguém ficar na mão:

  • A Vila não possui nenhum banco, mas a maioria dos estabelecimentos aceita cartão.

  • Para quem for de carro, atenção com o ponteiro do combustível, já que por lá não tem posto de gasolina.

  • Também não há farmácias e só é possível pegar o sinal das antenas de celulares das operadoras Vivo e Tim.


Fique ligado

Para aproveitar melhor a experiência em Paranapiacaba uma boa dica é baixar o aplicativo sobre a cidade. Ele foi desenvolvido pela Prefeitura de Santo André com o intuito de transformar o seu celular em um grande mapa com informações mais aprofundadas sobre os pontos turísticos e a história da vila histórica.

Calendário de eventos

A ferramenta também mostra a programação completa da agenda de eventos. Tem para IOS e Android.


Como chegar em Paranapiacaba?

Plataforma de onde parte aos finais de semana o Expresso Turístico
Thatiane Ferrari

De carro: Dirija até o km 29 pela Via Anchieta, na pista marginal com sentido ao Riacho Grande. Entre na Estrada Velha do Mar, em direção a Ribeirão Pires e pegue o acesso da Rodovia Índio Tibiriçá, seguindo até o km 45,5, na alça que leva para a Rodovia Antonio Adib Chamas. De lá, siga para Paranapiacaba. Nos dias normais, existe uma área para deixar o veículo. Já durante a realização de grandes eventos, não é possível chegar de carro até a vila, pois a estrada fica bloqueada.

De transporte público: Pegue a Linha 10-Turquesa da CPTM até o final, em Rio Grande da Serra. Ao chegar, não deixe de reparar nos detalhes da estação, pois ela é tombada pelo Patrimônio Histórico de São Paulo. De lá é preciso tomar o ônibus 424 (Viação Ribeirão Pires) que leva até a parte alta da Vila. No ponto final, basta atravessar a ponte de ferro e logo estará na parte baixa, onde está localizada a área histórica de Paranapiacaba. Aos finais de semana, os ônibus partem a cada trinta minutos. Já em dias comerciais, as saídas são de hora em hora.

De Expresso Turístico: Aos finais de semana a CPTM opera o Expresso Turístico, uma locomotiva da década de 1960 que leva os passageiros até a Vila Inglesa de Paranapiacaba em uma inusitada viagem pelo tempo. Existem duas saídas, às 8h30 na estação da Luz ou às 9h na estação Prefeito Caso Daniel | Santo André. O trajeto é realizado na mesma linha em que circulam os trens comuns e o ingresso contempla apenas o transporte. Ao chegar na cidade cada viajante deverá realizar o seu próprio roteiro, ficando atento ao horário de retorno, às 16h30. As vagas são limitadas e os bilhetes muito disputados, tanto que muita gente consegue comprar para viajar apenas daqui dois meses.

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